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sábado, 28 de maio de 2016

MEU LOOK: COLORINDO UM DIA FRIO

Ponto pra mim: consegui um look quentinho de inverno, sem uma peça preta.
Palmas!!! Palmas!!!
Ahahahah!



Casaco Indian | Top Forever 21 | Calça Missbella | Botas Santa Lolla | Poncho (usado com gola Colcci

terça-feira, 24 de maio de 2016

segunda-feira, 23 de maio de 2016

MODELO, EU?!

Por que tanta dificuldade de acreditar em um elogio?

- Nossa, que bolsa linda!
- Sério? Ela é tão antiga.
Mulher tem essa mania de rebater elogio, né?
Vou contar uma história e quero saber se acontece com você.

"Você é modelo, não é?" Já era assim. Só pra confirmar! Depois de voltar ao cabelo crespo, passei a ouvir essa pergunta o tempo inteiro. E, claro, eu achava o máximo! Humana, libriana e vaidosa. Ninguém nunca me colocou entre as meninas mais bonitas da escola. E, de repente, estava na cara que eu era modelo. Mas... como assim? Passei de envaidecida pra desconfiada num pulo.

Eu tenho 1,65m de altura, peso 60kg: pelas medidas, não dá pra passarela, não. Não tinha muito o que pensar sobre o assunto. O motivo de eu ter virado possível modelo da noite pro dia era o cabelo. E, paranóica que só eu, comecei a avaliar se este "elogio" era algo tão positivo assim. Esbarrei em duas teorias pra explicar esse fenômeno e o pior é que nenhuma das duas me agradam.

Em uma sociedade em que a mulher " é ensinada a se odiar e a seguir um padrão inatingível do que é belo, sobretudo para a mulher negra" - como colocou a mestre em filosofia Djamila Ribeiro, em artigo publicado na Carta Capital - a valorização da beleza natural (principalmente da negra) ainda é colocada como algo elevado a seres especiais. Explico:

 Na primeira teoria, entendi que, na visão de muita gente, se você tem cabelo crespo e exibe isso para o mundo, você é artista, você é diferentona, você tem atitude, você tem estilo, você está na "moda do cabelo black", você quer aparecer, você é militante. Você não pode se dar ao luxo de ser uma pessoa comum, passando pela rua, vivendo a sua vida. Você é modelo!
Tem que haver um motivo para o seu cabelo crespo ser exibido com orgulho por aí. Tem que haver um motivo para você não sufocar o seu volume com chapinha e alisante. E não entra na cabeça de muita gente que esse motivo pode ser simplesmente a sua vontade. Você vira modelo!

Muita gente pensa dessa forma, no entanto, na outra ponta também tem gente que enxerga beleza além dos padrões. Claro que sim! E essa pessoa, que me dedicou um elogio sincero, pode pensar que eu sou modelo. Não pode? E aí vem a minha segunda teoria: a da dificuldade de aceitação de um elogio.

Volto a frase de Djamila, eu sou essa mulher que foi ensinada a se odiar. Quando criança, eu aprendi que eu era feia, eu aprendi que meu cabelo era ruim. E não faz muito tempo que eu descobri que isso que me ensinaram não era verdade. E, perceba, esse foi um aprendizado só meu. Eu entendi a minha beleza e sei que ela está dentro dos meus olhos, mas ainda tenho dificuldades de entender que outra pessoa pode me ver tão bonita quanto eu me vejo.

O processo de reconstrução da minha autoestima me levou a perceber que a opinião do outro não importa, que a minha beleza é a minha liberdade de ser quem eu quiser e como eu quiser. Que, antes de qualquer outra pessoa, EU tenho que me admirar. E eu me blindei tanto contra a opinião do outro - para rebater opiniões negativas - que passei a repelir até quando a opinião é positiva. Passei a desconfiar até dos elogios.

Se você também se sente assim, tenho algo a dizer: precisamos relaxar!

Márcia Pacheco