02 setembro 2016

COMPREI UMA MELISSA: SOBRE COMO LIDAR COM A OPINIÃO DA AMIGA-CHEIA-DE-OPINIÃO



Dia desses comprei uma Melissa. Aí você pode pensar: "Grande coisa, Pacheca"! Só que preciso dizer: foi grande coisa, sim. Senta, que lá vem história.



Assim que comprei o par de sandálias de plástico, lembrei de como eu era apaixonada pela marca uns 10 anos atrás. Tinha várias. Muitas cores e modelos. Muito cheirinho de tutti-frutti espalhado pelo meu armário por causa de tantas sandalinhas amadas. Mas só depois de comprar esta última, percebi que fazia mais de 10 anos que não investia numa Melissinha. Só um parêntese: (Já reparou que eu vivo entregando minha idade por aqui?! Ahahahah!)

Foi a implicância de uma amiga da faculdade que me separou dos calçados de plástico com cheiro de chiclete. Toda vez que eu usava uma Melissa, ela soltava uma gracinha. "De Melissa de novo, hein?!" "Mas você gosta de uma Melissa, né??!" Um dia, conversando sobre moda e estilo, ela soltou um "Cala boca, você usa sandálias de plástico!" E aquela aversão/implicância dela com minhas sandálias começou a me afetar.

Você já ouviu aquela história que amigas muito próximas acabam ficando parecidas? Parece tão legal pensar que uma conexão maluca provocada pelo mero acaso acaba fazendo duas pessoas que mal se conheciam tornarem-se tão próximas, tão íntimas, tão amigas, a ponto de se admirarem tanto que acabam assumindo uma os gostos da outra. Pois é, nem sempre isso é tão positivo. É que muito disso acontece assim: uma amiga-cheia-de-opinião começa a opinar demais e a outra, geralmente de autoestima abalada, começa a cair na pilha. Eu era a abalada e cai na pilha.

Troquei as Melissas divertidas por sapatos de couro, apesar de continuar a achar os modelos de plástico superlegais e a admirar quem os usava. Depois de tanta implicância da minha amiga, achei que aquilo não era mais pra mim. Tomei a opinião dela como verdade. Esqueci de um pequeno detalhe da vida: eu também podia ter a minha própria opinião. E, tudo bem se fosse diferente da dela. Opinião e verdade são dois conceitos que não se cruzam.

E, ali no caixa, passando o cartão de crédito pra levar minha Melissa pra casa, eu pensei em quantas vezes deixei a opinião de alguma amiga-cheia-de-opinião me desviar do que eu realmente gostava. Agora, observe bem o agente: EU deixei. Por dois minutos, até xinguei baixinho algumas danadas, confesso! Mas logo logo eu me dei conta de que não era o caso de uma falsiane in my life. O problema não era elas opinarem sobre tudo, o problema era eu deixar que a opinião delas me afetasse tanto.

Com o tempo, aprendi a defender o meu ponto de vista, a rebater críticas, a impor a minha opinião. E, gente, como isso está ligado a autoestima! Hoje me sinto livre pra usar o que eu gosto e segura para não deixar que opiniões contrárias me afetem tanto. Claro que mantenho a mente aberta para outros olhares, tento enxergar novos pontos de vista, avalio a opinião da amiga. Avaliar: como esta ação faz toda a diferença.

E, olha, estou aqui falando apenas de uma Melissa, mas isso se aplica a vida!

Beijinhos,

MP

0 comentários:

Postar um comentário

Quero saber o que você achou deste post. Sua opinião é importante!