20 novembro 2015

FOI COMIGO: ELES E OS SEUS 'CABELOS BONS'

Vamos dividir histórias de situações de discriminação e racismo que passamos no nosso dia a dia? Relatar aqueles casos de preconceito velado que a gente vivencia e, muitas vezes, finge que nem foi com a gente? Pois é falando e discutindo que a gente consegue mudar um pouco o nosso mundo.



Gustavo Lima é um cantor conhecido no Sertanejo Universitário e também por usar jeans bem justo e cabelos espetados firmados com gel, ou cera, ou seja o que for. O que ele tem a ver com esta história? Quase nada, mas vocês vão ver.

Dia desses estava sentada numa mesa de bar com um grupo de pessoas, algumas não tão próximas para chamar de amigos e não tão distantes a ponto de serem desconhecidos. Estava deslocada, mas me dou bem nessas situações. Um dos sujeitos, conheci naquela noite.

Engraçado, na aparência e na forma de agir. Jeans tão justos quanto o de Gustavo Lima, camiseta um pouco curta para o seu tipo de corpo, que exibia uma barriguinha proeminente. Falastrão, se esforçava para impressionar e para chamar a atenção de uma das meninas à mesa. Falar, ele sabia. Só que demais.

Não demorou muitos goles de destilado e - numa das tantas vezes que ele levantou para encenar uma situação ou outra que ele narrava na sua conversa sem sentido - alguém fez a comparação dos seus jeans justos com os de Gustavo Lima, pra desviar o assunto da quinta vantagem que ele contava naquela noite.

E eu acrescentei:
 - Só falta um pouco de gel no cabelo!

Ele rebateu:
- Não, minha filha, gel não. O meu cabelo é bom. Difícil encontrar alguém com um cabelo tão bom quanto o meu.

E ele falava isso num momento Narciso: se pegando, se amando. Passava as mãos nos cabelos, jogando os fios de um lado pro outro. Tive que segurar um pouco o queixo que queria cair diante de tanta imbecilidade, mas não demorou muito para me assustar ainda mais com aquele grupo de pessoas.

Todas os que tinham cabelo liso na mesa, eu não disse uma ou duas pessoas, eu disse T O D A S, começaram a passar as mãos nos seus cabelos como aquele sujeito fazia e também a gritar ao mundo a sua superioridade absoluta por ter "cabelo bom", como ele disse. Oooooh! Foi uma espécie de histeria coletiva.

Eu era a única pessoa de cabelo crespo à mesa e, abismada, minha única reação foi colocar o queixo de volta e perguntar:

- Vocês então querem que eu me sinta mal porque não tenho cabelo liso?

E finalizei dizendo:
- Achei que vocês fossem mais inteligentes.

Que ódio eu tenho de ser uma lady, minha vontade era jogar um copo de caipiroska de abacaxi cheio de gelo na cara de cada um, mas sou da paz.

Tem uma história pra dividir com a gente? Manda pra casadepaete@gmail.com

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