10 maio 2015

MAMÃE E O CHÁ

Para a minha mãe, tudo se cura com um chá. Ela, aliás, professora de história, por pouco não era médica. Pra todo mal, tinha a receita certa, sabia o remédio e a dose a indicar. E farejava uma gripe forte do primeiro espirro. Seu chá preferido: boldo. Esse pra ela é milagroso. Cura desde problema intestinal à desilusão amorosa.

Domingo por pouco não foi eleito o dia oficial do chá de boldo em certa época lá em casa. Se um de nós acordava com dor de cabeça e enjoo, daqui a pouco, tinha uma xícara fumaçando ao lado da cama. “Deixe esfriar um pouco. Comeu o que ontem à noite?”. A pergunta correta, na maioria das vezes, deveria ser “bebeu o quê?”. Mas o radar da mamãe não pegava ressaca. E a gente fingia uma cara de santo e soltava: “deve ter sido um sanduíche que comi na rua que me fez mal”. Até hoje não sei se ela acreditava nesses contos ou fingia.

Hoje acordei cedinho. Nada usual para mim num domingo. Coloquei um casaco, fui direto pra cozinha. Fervi um pouco de água. Coloquei saquinho de chá e sentei à mesa olhando a chuva fina pela janela. Fazia uns 15ºC, friozinho gostoso. E fiquei ali lembrando das xícaras de chá que mamãe me fazia quando morava com ela. Agora estou mais de 3,5 mil km longe. Não dava pra pegar o carro e dar um abraço. Dessa vez, o chá que ela me ensinou não curou, mas, ao menos, aliviou uma dor bem fininha no fundo do peito. A Saudade.

Feliz Dia das Mães

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