24 setembro 2013

Trinta

Aos 15 anos eu queria ter dezoito. Ser adolescente é um inferno, principalmente se você não se encaixa no padrão mocinha-perfeita-superpopular-da-escola. E eu ficava imaginando que todo aquele dilúvio de incertezas desse tempo estranho e cruel iria se dissipar aos 18 anos, com toda a independência que, no meu imaginário inocente, esta idade iria me trazer.

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Tudo errado. Aos 18 eu não era independente. E me deparava com escolhas que mudariam minha vida dali a alguns anos. E aí, mal cheguei aos 18, já idealizava os 30 anos. Queria pular a fase tão maluca e cansativa de faculdade e estágios, fazer aquilo da melhor maneira possível para então poder realizar o meu ideal de “vida pronta” aos 30. Casada, talvez com um filho, e um emprego que eu levaria para o resto da minha vida.

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Tudo errado de novo. Hoje, estou longe de ter uma “vida pronta” como idealizava aos 18 anos. E, que bom! Na verdade, no campo profissional, estou recomeçando. Isso, claro, não é só positivo. Mas é MUITO positivo. Sim, casei. Mas filhos... Ainda não me imagino mãe. E não quero tomar agora uma decisão para não me arrepender no futuro, quando talvez eu queira, mas não possa ter filhos. E também não vou me sentir agora menos mulher por conta disso.

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O bom de chegar aos 30 é entender essa coisa de ser mulher. Sinto que sou bem mais bonita, ou, pelo menos, muito mais confiante que aos 15. Dominei algumas técnicas de maquiagem que me fazem animar dias de insegurança, mas não dispenso curtir a liberdade de dias de cara lavada. Entendi que beleza é muito mais um estado de espírito que uma tentativa de atender a um padrão.

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… mas o metabolismo, meus amigos, vai ficar retardado. Ops! Enfim, que mulher não fica neurótica ao passar de 2 para 3 no primeiro dos dois algarismos que definem sua idade? Talvez a representação visual dos números me incomode mais que a idade em si. Ao menos, diferente dos 15, dos 18, aos 30 eu posso parar de idealizar como será no futuro. Não quero idealizar Márcia aos 40 anos. Não! Quero parar de tentar alcançar uma felicidade mais à frente, eu quero que baste esticar o braço.

E eu fui assim curtir meu aniversário de 3.0. De vermelho, com uma camiseta-amor de Vinícius de Moraes, calça plush superconfortável e jaqueta marrom pra esquentar. Um look pra encher de energia um ano inteiro. E, como diria Vinícius:

"E a coisa mais divina
Que há no mundo
É viver cada segundo
Como nunca mais..."

Camiseta Chico Rei | Calça Thorré | Jaqueta antiga | bota Schutz | bolsa Arezzo | brinco Acessorize

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