19 fevereiro 2013

Meu nome: Saudade!

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A passagem é só de ida. Vou sem prazo, sem planos, sem pressa. Apenas com um projeto: estar onde meu coração já mora. Não tinha pressa para mais nada. E foi então que, me preparando para esta mudança, percebi que não tinha só um coração. parafraseando Caetano, deixo corações fora do peito: da família, dos amigos, dos tão amigos que viraram família.
Deixo meu coração na Pequena, minha Aracaju. Não eram desejos libidinosos que me faziam vibrar de alegria e soltar um sorriso ao ver o letreiro reluzente do Francese Motel. Desde criança, esse letreiro é a minha referência de que, enfim, depois de qualquer viagem por terra, eu estava de volta a minha cidade. Sentirei falta da sensação boa ao ver a água do Rio Sergipe arrebentar no parapeito da rua da frente nos dias de maré cheia, vista da janela do carro, na ida ao trabalho. Sou apaixonada pelo seu mar marrom, sim, e até pela, às vezes longa, caminhada pela praia até o banho de mar. Sou apaixonada pela vista do nível alto do mar visto quando se pega a praia na altura do Parati, vindo pela Rodovia dos náufragos. Aí o tom é um azul lindo!

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Nem sou tão de praia, mas é um conforto saber que, se me bater um desejo, em vinte minutinhos de carro teria um mar para me receber, me purificar e me energizar. Engraçado, é assim também que me sinto em relação a alguns amigos, os de infância, principalmente. Mesmo não mantendo contato diário, a cada encontro, tudo volta a ser como era antes. Que estamos todos, como o mar, sempre prontos com sorrisos que têm a mesma largura. A sensação de conforto e amparo... Tudo igual.
Fui me despedindo de tudo isso como quem não quer nada... Como quem não quer nada com esta história de Adeus. Eu fujo das minhas emoções. Vou me escondendo por trás do sempre muito trabalho. Vou me atarefando. Ocupando o cérebro para não sentir. Mas meus vários corações me traíram nessa missão desta vez.
Levo meus laços bem atados. Desatei tantos outros que já não cabiam mais na bagagem. E fico sofrendo pelos que, talvez, pudessem se tornar nós de marinheiro: os amigos que me foram surgindo na reta final em Sergipe. Que foram chegando sem eu esperar e estiveram tão junto, me dando o apoio que eu não imaginei que precisaria. O sofrimento é por temer que não haja tempo de mantê-los comigo. Vou levá-los, todos, nas memórias dos bons momentos , preservá-los no coração e fazer tudo para estar, de alguma forma, por perto. Está decidido. Não haverá mais “o que poderia ter sido” em minha vida.

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Estou a caminho do finalzinho lá do mapa do Brasil. Sul. Rio Grande do Sul. E esta mudança de estado territorial mudou o meu estado de espírito. Quero meus corações falando mais alto. Quero me devolver às palavras. Voltar a transformar sentimento em pensamento. Escrever para me entender. Quero me fazer próxima de todos meus corações distantes. Acredito em amizades que não morrem. Se não acreditar, em que poderei me apoiar?
Da volta? Não sei. Nos últimos dias, minha vida se resumiu a plástico-bolha, ansiedade e espera. Estou indo sonhar o sonho de quem eu amo. Uma das formas mais bonitas de amar. E quero transformar sonhos meus
em desejos realizados. Vou pegar carona na coragem dele. E vou iniciar. Assim, sem objeto direto. Reiniciar. Quero mais sentido, mais sorrisos, mais amor declarado. Quero crescer profissionalmente sim, mas também e principalmente, crescer como pessoa nesta nova experiência. Quero desvendar este novo como criança abrindo uma embalagem gigante de presente. Com aquele sorriso de quem tem certeza de que só coisas boas estão por vir. E quero sentir meus corações, mesmo longe, todos bem perto de mim.

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Publiquei este texto no meu facebook durante a viagem de Aracaju para Bagé. Foi escrito com muita emoção e num momento bem delicado. Acho que ele exprime exatamente como me senti. Por isso, reproduzo aqui! Quero, através da Casa, me sentir sempre próxima de Aracaju. Sei que sentirei muita falta da minha terrinha!!!

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